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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Arte

Iris Murdoch por Tom Phillips (óleo), 1984-6
Acabei de ler O Príncipe Negro, de Iris Murdoch (acerca do qual já inseri vários posts).

À semelhança do conceito de cultura, também a arte é difícil de definir de forma sucinta e satisfatória. Iris Murdoch arriscou e optou por finalizar o livro acima referido com uma definição de arte. Brilhante, a meu ver.

Aqui ficam as últimas frases do livro, para vossa apreciação:

[…] A arte não é confortável nem falsificável. A arte conta a única verdade que em definitivo interessa. É a luz através da qual os seres humanos podem ser corrigidos. E para além da arte, permitam que vos diga, não existe nada.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Casamento e Solidão

«[…] O casamento é uma instituição curiosa, […]. Não consigo compreender lá muito bem como pode funcionar. Normalmente as pessoas que se vangloriam de um casamento feliz estão, parece-me, a enganar-se a si próprias, se é que não a mentir deliberadamente. A alma humana não foi concebida para uma proximidade constante, e esta vizinhança forçada redunda amiúde numa solidão espantosa, que as regras do jogo impedem que seja mitigada. Nada se compara à inútil solidão de duas pessoas enjauladas no mesmo espaço. Os que estão fora da jaula podem, segundo o seu gosto, satisfazer a sua necessidade de companhia através de incursões mais ou menos organizadas ao território dos outros seres humanos. Mas uma unidade de dois dificilmente consegue comunicar com os outros; e já se pode dar por feliz, à medida que os anos passam, se conseguir comunicar dentro de si mesma. […]»

Iris Murdoch
O Príncipe Negro (excerto)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Escrever

Entrega-te a essas grandes obras de arte, que são suficientes para uma vida inteira. Não te preocupes muito em escrever. A arte é uma actividade gratuita e geralmente ingrata, e na tua idade é mais importante desfrutar dela do que praticá-la. Se decidires escreveres algo, tem em mente aquilo que disseste sobre a perfeição. A coisa mais importante para um escritor é aprender a rasgar. A arte tem a ver, não só primacialmente, mas de forma absoluta, com a verdade. Arte e verdade são sinónimos. O artista é aquele que formula uma linguagem própria para revelar a verdade. Se escreveres, escreve a partir do que sentes, mas com cuidado, de forma objectiva. Nada de poses. Escreve pequenas coisas que te pareçam verdadeiras. Depois poderás descobrir que algumas delas contêm também beleza.

Iris Murdoch, in O Príncipe Negro
Relógio D’Água, 2008
(ver também post de 8 de Dezembro acerca do mesmo livro)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Arte


«Todo o artista é um amante infeliz. E os amantes infelizes têm necessidade de contar a sua história.»

A arte é «a luz sob a qual é possível restaurar o coração humano.»

Iris Murdoch, O Príncipe Negro
Relógio D'Água